Quando o assunto é política, muitos são os candidatos a serem eleitos grandes marcas. Como se comunicam, qual histórias contam, quais os elementos mais marcantes das principais marcas da política brasileira e mundial?

Linguagem
ou lábia?

Os políticos, sempre eles. A lábia, sempre ela. De 2 em 2 anos, a lábia dos políticos toma conta do horário eleitoral gratuito e, goste a gente ou não, a linguagem das marcas que trabalhamos todos os dias ainda têm muito o que aprender com essas pessoas. Que aprendizados são esses? O que o discurso político pode ensinar para a linguagem das marcas?

Pra levar na
ponta da língua

O que, onde e como a linguagem da sua marca pode aprender com o discurso político?

1. Quem conta história,
faz história.

“Era uma vez” é agora. Quer defender um ponto? Conte, encante. Muito tempo atrás, num reino muito distante daqui, tudo o que a sua marca precisava para se posicionar como isso ou aquilo era dizer uma, duas, mil vezes: Eu sou isso. Ou aquilo. Hoje, já era.
E os nomes que movem e comovem multidões na ponta da língua sabem disso muito bem. Sabem que um bom personagem muda tudo. Que uma boa narrativa vale mais do que qualquer sacada, jogo de palavra ou frase feita. No fim das contas, é contar bem menos sobre o que sua marca acredita e (muito) mais sobre tudo a história que fez sua marca acreditar naquilo que faz.

Por exemplo:

Yes, we tell.

Em seu discurso de posse em 2008, Obama iniciou contando a história de Ann Nixon Cooper, mulher que nasceu em 1902 e viveu 107 anos. Obama contou, através do olhar de Ann, um século da história norte-americana, e ressaltou as dificuldades da população feminina e negra em votar.
“She was born just a generation past slavery, a time when there were no cars on the road or planes in the sky; when someone like her couldn’t vote for two reasons — because she was a woman and because of the color of her skin.”
A história foi tão marcante e simbólica que Ann, antes desconhecida, ficou famosa e lançou um livro, contando sua história: “A Century and Some Change: My Life Before the President Called My Name”. Mais uma prova do poder das histórias.

2. Repita,
repita,
repita,
e repita,

As palavras têm poder. Uma só palavra tem o poder de mudar tudo. Tudo mesmo. É sobre demonstrar convicção através das palavras. É sobre criar uma linha de raciocínio através da linguagem. É sobre facilitar a compreensão para quem lê. Lembra aquela história que sua professora do colégio contava? “Joãozinho, o texto está muito repetitivo!” Esqueça. Porque pro seu consumidor lembrar da sua marca e, acima de tudo, no que a sua marca acredita, repetição é palavra-chave. Pleonasmo, anáfora, quiasmo: a gramática tem um monte de figuras de linguagem que explicam uma mesma coisa para mim, para você, para sua marca: a repetição tem poder. A repetição muda tudo. Entendeu ou quer que a gente repita?

Por exemplo:

Great, Tremendous, Magnificent.

Em apenas uma resposta de duração de 1 minuto, em sua participação no talkshow de Jimmy Kimmel, Trump utilizou 3 vezes sua palavra favorita: tremendous. Palavra que pelo seu significado de grandiosidade se conecta totalmente com as ideias de sua campanha e posicionamento de governo: “Make America Great Again”. Ideia, que é reforçada através da repetição do slogan, mas também com palavras que, repetidas milhares de vezes transmitem os mesmos sentimentos, como em seu discurso de posse em 2017, a palavra America foi utilizada 26 vezes em 16 minutos de discurso. Assim como as palavras nation and country, que somadas foram ditas 18 vezes.





Um bom gestor.

Durante as eleições de 2016, o candidato a prefeitura de São Paulo, João Dória, teve como pilar da sua campanha sua diferenciação em relação aos outros políticos. Para isso, repetiu em todas possibilidades possíveis a palavra gestor, se contrapondo às figuras políticas. Em um dos debates que participou, nas 6 vezes que Dória falou, utilizou em 5 delas, ao menos uma vez,