Toyota, Mercedes-Benz, McDonald’s, Disney, Louis Vuitton, Honda, Chanel, Ford. O que essas marcas têm em comum - além de estarem nas primeiras posições do Best Global Brands, o nosso ranking?

Todas elas, em diferentes níveis, poderiam ser a prova de que estudar “personal branding” em 2018 não é algo novo. Isso porque as sete marcas citadas são marcas patronímicas: levam o nome de seus fundadores desde os anos 1900 até os dias hoje. Elas são apenas um símbolo - ou oito - de um processo natural e histórico da construção de uma marca.

Em um elevator pitch rápido, daria para contar assim a história do branding: Maria passou a oferecer um produto ou um serviço; Maria percebeu que haviam Josés e Antônios que ofereciam o mesmo produto ou serviço que ela; Maria decidiu se diferenciar dos concorrentes e transformou seu nome em uma marca. Ou seja, personal branding não é, mesmo, algo novo. Pelo contrário, é história antiga. É a pré-história do branding como vemos e fazemos hoje. Em alguma medida, dá para afirmar que o branding nasce do personal branding. E tudo isso nunca foi tão atual, relevante e impactante quanto agora.

Abaixo, os sete pontos-chave para entender a Era do Eu:

1. Quanto vale a sua marca?

Neymar Jr. nasceu em 1992, começou a jogar futebol profissionalmente em 2009, foi campeão pela primeira vez em 2010, se transferiu pelo Barcelona em 2013 e, em 2017, se transferiu para o Paris Saint-Germain por módicos 222 milhões de euros. Analisando apenas este valor, em apenas 10 anos de atuação Neymar Jr. já estaria entre as Marcas Brasileiras Mais Valiosas. A novidade do personal branding vive exatamente nisso: na possibilidade de cada um de nós ser e representar uma marca. De um prestador de serviços autônomo a um formador de opinião na internet. E, mais do que isso, na possibilidade das marcas pessoais tomarem as dimensões globais que tomaram. Como Neymar Jr. e tantos outros. Como nunca antes na história.

2. Ser humano é vital.

Do lado de cá, no mundo das marcas corporativas e suas consultorias, o atributo de marca “humano” nunca foi tão desejado pelos nossos clientes quanto hoje. Marcas que não souberem encontrar o que há de mais humano em seu negócio e estabelecer diálogos com seus consumidores de igual para igual irão (e já estão) morrendo. Na “Era do Eu”, o desafio se torna ainda maior do que antes, do que hoje. Em um cenário onde marcas pessoais nascem, crescem, competem e lucram tanto quanto marcas corporativas, ser “humano” é fator higiênico, básico, vital.

3. Sai o consumidor, entra o concorrente.

Se todo mundo pode ser uma marca, você tem um potencial novo concorrente: seu próprio consumidor. Menos pelo viés funcionalista, porque o que se discute aqui não é se seu consumidor vai passar a oferecer os mesmos produtos e serviços que sua marca, e mais pelo viés da identidade, da comunicação e do conteúdo. Porque seu consumidor pode (e vai) disputar a atenção e o coração de outros consumidores com você, influenciar na decisão na compra (ou não) do seu produto e avaliar as atitudes da sua marca para o mundo que vocês compartilham. O tempo todo.

4. Cabem 7 bilhões de propósitos no mundo?

Seu consumidor virou uma marca. Ele tem posicionamento claro, personalidade forte e propósito bem definido. Mas, isso significa que o planeta Terra ganhou 7,53 bilhões de propósitos de uma era para outra? Em um mundo tão cheio de informações, opiniões, imagens, promessas, discurso… cabe tudo isso?

5. O Eu + Outro.

A Era do Eu só faz sentido com a participação do Outro. Os conceitos inicialmente opostos de identidade e alteridade se encontram para dar sentido ao momento histórico em que o “personal branding” se encontra. Todos somos marcas - e todos dependemos da interação, da participação, da aprovação ou reprovação e do consumo do Outro para continuarmos fazendo sentido.

6. O que une nossos Eus?

É preciso encontrar o que nos une. A viabilização da Era do Eu depende da formação de uma rede complexa de sentidos, significados e conexões orientadas pelo viés mais humano de consumidores e corporações. O que há em comum entre o seu e o meu propósito? Como a minha marca pode ajudar a potencializar a sua? E, principalmente, quais são as marcas que representam nosso estilo de vida?

7. Quem é você na Era do Eu?

Toyota, Mercedes-Benz, McDonald’s, Disney, Louis Vuitton, Honda, Chanel, Ford… e a sua marca. As marcas que conquistarão os primeiros lugares nos rankings daqui 10, 20, 30 anos serão aquelas que souberem olhar para dentro e entender, em uma frase, em um conceito, em uma causa, o que as conecta com o lado de fora. Qual é o gene imutável que conecta a sua marca de forma relevante, clara, consistente e diferenciada com o mundo externo - seja qual for a era em que o branding se encontrará.

Quando o assunto é política, muitos são os candidatos a serem eleitos grandes marcas. Como se comunicam, qual histórias contam, quais os elementos mais marcantes das principais marcas da política brasileira e mundial?

Nos palcos, nos fones, nos canais de TV, nos canais do Youtube, na tela do seu celular. Qual é o valor das marcas dos maiores nomes do entretenimento brasileiro e mundial? Que comece o show.

Linkedin, portfólio, curriculum vitae… e o que mais? Se sua carreira ainda não virou um case, é melhor começar a repensar sua marca profissional.